O xadrez sucessório paraibano está intrinsecamente ligado à força política de Campina Grande. Conforme o histórico da nossa conversa, a chapa encabeçada por Cícero Lucena já definiu que o posto de vice-governador será ocupado por um nome vindo da Rainha da Borborema. Essa estratégia visa quebrar a barreira geográfica e eleitoral, permitindo que o grupo de Cícero penetre em redutos onde a oposição tradicionalmente se encastela. Nos bastidores, as especulações ganham corpo em torno de nomes da família Cunha — um sobrenome que carrega décadas de tradição e peso político no estado — e de figuras como "Cáio", embora nada tenha sido formalizado além da origem geográfica do candidato.
Essa busca por equilíbrio regional reflete o pragmatismo que tem dominado as alianças atuais. Assim como Pedro Cunha Lima admitiu que o favoritismo de Cícero nas pesquisas foi o "fator determinante" para seu apoio, a escolha do vice também passa pela necessidade de atrair o eleitorado campinense para um projeto que hoje é centralizado no litoral. Enquanto a capital lida com essas articulações de "alta voltagem", em outros centros, como Cajazeiras, os ajustes internos são resolvidos na base do diálogo direto e da manutenção de peças de confiança, como no caso de Ninha do Frigorífico, que permaneceu na Secretaria de Articulação após um apelo pessoal da prefeita Corrinha Delfino.
A grande incógnita que paira sobre a sucessão é se um nome de Campina Grande será suficiente para consolidar a vitória ou se servirá apenas como uma colagem de conveniência eleitoral. A política paraibana, muitas vezes marcada por adesões movidas por planilhas estatísticas, corre o risco de apresentar chapas com rostos conhecidos, mas sem uma alma programática que una verdadeiramente as regiões. A escolha do vice em Campina Grande não é apenas um detalhe; é o registro de até onde o grupo de Cícero está disposto a ceder espaço para garantir a sobrevivência do projeto político.
A reflexão final que se impõe é sobre a identidade desse futuro vice: será um nome capaz de governar com autonomia ou apenas um CEP estratégico para garantir votos? Em um cenário onde as nulidades triunfantes muitas vezes ocupam espaços de destaque, a definição por Campina Grande será o teste definitivo da coerência política contra o simples desejo de manutenção do poder através da conveniência das urnas.
Repórter TV
Comentários: