As inscrições para a Olimpíada Brasileira de Africanidades e Povos Originários (Obapo), iniciativa focada em promover o letramento étnico-racial e a educação antirracista, encerram-se na próxima sexta-feira, dia 8 de março. O projeto, que abrange desde o 2º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio em todo o Brasil, busca consolidar a diversidade cultural no currículo escolar.
O engajamento com a competição apresentou um salto significativo em 2024, atingindo a marca de 100 mil inscritos. Esse volume representa o triplo do registrado nas duas edições anteriores, evidenciando o interesse crescente das comunidades escolares pela temática.
De acordo com as diretrizes do edital, a participação está aberta tanto para instituições de ensino quanto para estudantes individuais, desde que acompanhados por um responsável maior de 21 anos. O cadastro deve ser realizado diretamente no portal oficial da Obapo.
Na modalidade institucional, não há limite para o número de alunos inscritos. Além disso, a olimpíada acolhe estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que realizam avaliações compatíveis com sua etapa de ensino e série correspondente.
As taxas de inscrição, destinadas à manutenção pedagógica e administrativa do projeto, variam entre R$ 440 para escolas públicas e R$ 880 para a rede privada. Para inscritos individuais, o valor fixado é de R$ 65.
Conteúdo programático e BNCC
Para os ciclos iniciais, o foco recai sobre a valorização das manifestações artísticas e modos de vida dos povos originários e afro-brasileiros. As questões exploram a ludicidade e a herança cultural de forma acessível aos estudantes mais novos.
Já no ensino médio e séries finais, a prova exige maior profundidade analítica. São abordados temas como racismo ambiental, colonialidade, segregação étnico-racial e os processos históricos de descolonização da sociedade brasileira.
Toda a estrutura de conteúdo é rigorosamente alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). As avaliações ocorrerão em formato digital entre os dias 13 e 29 de maio, sob supervisão obrigatória de um funcionário da escola.
Embora o formato padrão seja virtual, a organização prevê a possibilidade de provas impressas em situações excepcionais. Para tal, as instituições interessadas devem solicitar autorização prévia junto à coordenação pedagógica.
Érica Rodrigues, mestre pela Unicamp e coordenadora da Obapo, destaca que 70% das adesões provêm do setor público. Há um equilíbrio notável entre redes estaduais e municipais, além de uma participação expressiva de institutos federais.
Engajamento nacional e representatividade
Geograficamente, o Nordeste lidera em número de participantes, seguido de perto pela região Sudeste. Atualmente, quase todas as unidades da federação possuem representantes no certame, com exceção do Acre até o momento.
A Obapo tem firmado parcerias estratégicas com secretarias de educação, como ocorre em Oeiras, no Piauí. Nesses casos, a adesão costuma envolver a totalidade das escolas da rede municipal, fortalecendo a política pública local.
Identidade e pertencimento
A coordenação celebra o impacto positivo entre jovens indígenas e quilombolas. Para esses estudantes, a olimpíada funciona como um espaço de afirmação de identidade e reconhecimento de sua importância na construção do presente do país.
Segundo Rodrigues, é fundamental que esses alunos se vejam refletidos no conteúdo pedagógico. Isso transforma a Obapo em uma ferramenta de visibilidade para territórios e saberes historicamente marginalizados pela educação tradicional.
O movimento por uma educação contra-hegemônica
Paralelamente à olimpíada, diversos movimentos sociais e organizações, como a Ação Educativa, têm desenvolvido materiais de apoio. O objetivo é fornecer referências sólidas que questionem a branquitude e promovam narrativas diversas em sala de aula.
Publicações recentes reforçam a necessidade de um ensino fundamental integral e genuinamente antirracista. Essas iniciativas visam enfrentar as desigualdades estruturais que ainda permeiam o sistema educacional brasileiro de forma coletiva.
O projeto ecoa a necessidade de dar voz aos protagonistas da história, como sugere a citação de Eduardo Galeano sobre a importância de os leões terem seus próprios historiadores. Trata-se de uma aplicação prática da Lei 11.645/2008.
Dados do movimento Todos Pela Educação alertam para as disparidades enfrentadas por estudantes racializados. Em territórios indígenas, por exemplo, a infraestrutura básica ainda é um desafio crítico, com baixos índices de saneamento e energia elétrica.
Para mais detalhes sobre o cronograma, bibliografia recomendada e materiais de apoio, os interessados devem acessar o site oficial da Obapo ou acompanhar as atualizações pelos canais de comunicação do projeto.

Repórter TV
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se