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Quinta-feira, 14 de Maio 2026
Educação

Unesco: matrículas no ensino superior mais que dobram em duas décadas

Estudo aponta que, embora o acesso global tenha crescido, disparidades regionais e desafios de financiamento ainda limitam a inclusão acadêmica

Repórter TV
Por Repórter TV
Unesco: matrículas no ensino superior mais que dobram em duas décadas
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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A **Unesco** divulgou nesta terça-feira (12), em Paris, um relatório inédito revelando que as **matrículas** no **ensino superior** saltaram de 100 milhões para 269 milhões entre 2000 e 2024. O levantamento, que abrange 146 países, destaca uma expansão sem precedentes impulsionada pela crescente demanda global por qualificação acadêmica e desenvolvimento social.

Mesmo com o crescimento expressivo, o acesso permanece desigual. Enquanto a Europa Ocidental e a América do Norte registram 80% de jovens matriculados, a América Latina e o Caribe atingem 59%. Em contraste, a África Subsaariana apresenta o índice mais baixo, com apenas 9% de participação.

O setor privado desempenha um papel crucial, respondendo por um terço das vagas mundiais. Na América Latina, essa proporção chega a 49%. Em nações como o Brasil e o Chile, quatro em cada cinco universitários estudam em instituições particulares, evidenciando a dependência do capital privado no setor.

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Embora o ingresso tenha acelerado, a conclusão dos cursos não seguiu o mesmo ritmo. A taxa bruta global de graduação subiu timidamente de 22% em 2013 para 27% em 2024, sinalizando desafios persistentes na retenção de alunos e na eficiência dos sistemas educacionais.

Demanda por sustentabilidade

Khaled El-Enany, diretor-geral da **Unesco**, ressaltou que o aumento da procura pelo ensino superior é vital para a construção de sociedades sustentáveis. No entanto, ele alertou que a expansão nem sempre garante equidade, sugerindo a criação de novos modelos de financiamento para assegurar inclusão e qualidade.

A organização reafirmou seu compromisso em apoiar os países através de mecanismos como a Convenção Global sobre a Educação Superior. O objetivo é facilitar o reconhecimento de diplomas e promover padrões de excelência acessíveis a todos os perfis de estudantes, independentemente de sua origem.

Mobilidade estudantil internacional

O fluxo de estudantes internacionais triplicou no período pesquisado, alcançando 7,3 milhões de pessoas em 2024. Contudo, essa mobilidade beneficia apenas 3% da população universitária global, concentrando-se majoritariamente em países como Estados Unidos, Alemanha, Canadá e Reino Unido.

Novos polos de atração estão surgindo, com a Turquia e os Emirados Árabes Unidos apresentando um crescimento acelerado de procura na última década. Além disso, nota-se uma tendência de mobilidade intrarregional, especialmente na América Latina, onde a Argentina se consolidou como um destino preferencial.

Avanços na paridade de gênero

Atualmente, as mulheres já superam os homens no ensino superior global, com 114 matrículas femininas para cada 100 masculinas. A paridade foi atingida em quase todas as regiões, com exceção da África Subsaariana, onde as barreiras de acesso e conclusão ainda são predominantes para o público feminino.

Apesar da liderança numérica, as mulheres ainda enfrentam obstáculos estruturais. Elas ocupam apenas cerca de 25% dos cargos de liderança sênior na academia e continuam sub-representadas em cursos de doutorado, revelando que a igualdade quantitativa nas salas de aula não se traduz plenamente em poder decisório.

Financiamento e tecnologia

O investimento governamental médio no setor corresponde a apenas 0,8% do PIB global. A **Unesco** aponta que a austeridade fiscal em diversos contextos pressiona as universidades, tornando urgente a busca por financiamentos sustentáveis que protejam grupos vulneráveis e pessoas refugiadas.

No campo tecnológico, a transformação digital avança rapidamente, mas a governança institucional fica para trás. Apenas uma em cada cinco universidades possuía diretrizes formais sobre o uso de inteligência artificial em 2025, evidenciando um descompasso entre a inovação técnica e a regulamentação acadêmica.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil

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