O IBGE divulgou nesta quinta-feira (14) que a taxa de desemprego entre pessoas que se declaram pretos atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026. O índice supera a média nacional de 6,1% e evidencia uma disparidade de 55% em relação aos trabalhadores brancos, cuja desocupação ficou em 4,9%.
Este distanciamento entre os grupos étnicos apresentou crescimento quando comparado ao encerramento de 2025, quando a diferença era de 52,5%. O cenário atual também supera o registrado no mesmo período do ano passado, mantendo-se, contudo, abaixo do recorde histórico de 69,8% observado durante o auge da pandemia em 2020.
Os números integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral. Desde o início do levantamento, em 2012, a desigualdade entre brancos e pretos tem oscilado, atingindo seu ponto mais equilibrado em 2021, quando a diferença foi de 43,6%.
Desigualdade entre pardos e brancos
A desvantagem no mercado de trabalho também atinge a população parda, que registrou uma desocupação de 6,8%. Esse valor representa uma taxa 38,8% maior do que a verificada entre os brancos, reforçando o desequilíbrio racial nas oportunidades de emprego.
Embora a diferença tenha sido maior no passado, chegando a 50,84% no final de 2023, os dados recentes mostram uma leve piora em relação ao trimestre anterior. No fim de 2025, o desemprego para pardos era 47,5% superior ao dos brancos.
Análise dos fatores estruturais
Segundo William Kratochwill, analista do IBGE, a persistência dessas lacunas sugere um problema de ordem estrutural na sociedade brasileira. Ele destaca que a cor da pele muitas vezes está correlacionada a outros limitadores de acesso.
"Fatores como o nível de escolaridade e a localização geográfica desempenham papéis cruciais nesses indicadores", explica o especialista. Para Kratochwill, compreender as causas exatas exige investigações que cruzem múltiplas variáveis socioeconômicas.
Informalidade e precariedade
A vulnerabilidade de pretos e pardos também é visível na qualidade dos postos ocupados. A taxa de informalidade nacional, que engloba trabalhadores sem carteira assinada ou proteção previdenciária, fechou o período em 37,3%.
Enquanto a informalidade atinge 32,2% dos brancos, ela sobe para 40,8% entre os pretos e chega a 41,6% entre os pardos. Isso significa que a maioria da população negra está mais exposta à ausência de benefícios como o 13º salário e o seguro-desemprego.
Perfil da população e gênero
A Pnad baseia-se na autoidentificação dos entrevistados. No primeiro trimestre de 2026, os pardos compunham 45,4% da população em idade ativa, seguidos pelos brancos (42,5%) e pelos pretos (11,1%).
No recorte de gênero, a desocupação feminina (7,3%) é 43,1% maior que a masculina (5,1%). Curiosamente, embora os homens tenham mais facilidade de inserção, eles apresentam uma taxa de informalidade superior à das mulheres (38,9% contra 35,3%).
Impacto por faixa etária
A idade é outro fator determinante para o sucesso profissional. Jovens entre 14 e 17 anos enfrentam a maior dificuldade, com desemprego de 25,1%, muitas vezes aceitando cargos instáveis para iniciar a trajetória no mercado.
Por outro lado, o grupo com 60 anos ou mais registra o menor índice de desocupação, apenas 2,5%. Segundo Kratochwill, isso ocorre porque muitos idosos já se retiraram da força de trabalho, restando poucos ainda em busca ativa por vagas.

Repórter TV
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